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Leonardo Reis: a arte de contar histórias e de permanecer nelas

  • há 2 dias
  • 3 min de leitura

Amigo, jornalista e apaixonado pela cultura popular, Léo deixa um legado de palavras, afetos e memórias que se recusam a partir.



Somos seres finitos. Mas, quando penso nisso, imagino a vida acontecendo ao lado dos amigos até os 70, 80 anos… como se o tempo fosse generoso o suficiente para caber tudo. Não foi assim. Nem sempre é assim. Perdi um amigo aos meus 27 anos. Ele, com 28. É estranho escrever isso. É estranho aceitar. Tanta vida ainda cabia ali.


Leonardo Reis era um curioso nada óbvio. Fascinado por cultura, pelo interior, pelas raízes. Encantado por gente, qualquer tipo de gente. Fazia amizade com facilidade, como quem já os conhecesse há anos. Incentivador de uma boa conversa, da cultura popular, da produção audiovisual, da escrita criativa. Um horizontino de fala afiada, dono de um deboche único e de palavras que, mesmo ácidas, nunca deixaram de ser inteligentes.


Leonardo estudou Agronegócio, Zootecnia, Jornalismo, Espanhol, Português. Era inquieto. Não cabia a ideia de acomodação. Buscava, o tempo inteiro, aprender sobre tudo e, principalmente, sobre todos. Na escrita, encontrou um lugar especial. Escrevia de forma simples e direta pra todos.


Gostava de contar histórias. De falar do interior, do passado, de honrar memórias, retratos e tradições. E fez isso com tanto talento que foi reconhecido ainda na universidade, acumulando prêmios e construindo, desde cedo, um caminho invejável.


Ele ganhou muitas premiações, dentre tantas, Leonardo foi vencedor do Prêmio Gandhi de Comunicação em 2019, 2020 e 2021. Também conquistou o Expocom Nordeste em 2021, na modalidade Laboratório de TV, e em 2022, nas categorias Vinheta e Comunicação & Inovação, além do Expocom Nacional 2022, nas mesmas categorias. Mas nenhum prêmio traduz completamente quem ele era, de fato: único.


Antônio Leonardo de Sousa Reis nasceu em 3 de outubro de 1997. Cursou o ensino médio na EEEP Maria Dolores Alcântara e Silva, com formação técnica em Agronegócio. Iniciou Zootecnia na Universidade Federal do Ceará, mas foi no Jornalismo que encontrou aquilo que só acontece poucas vezes na vida: o encontro de alma. Entrou no curso alguns meses após o início da turma de 2018. Foi o último a chegar. E, curiosamente, foi ali que tudo começou: nossa amizade. Nos encontramos e nunca mais nos desgrudamos. Vieram os projetos, as disciplinas, os trabalhos, as viagens. A rotina virou parceria. E a parceria virou uma daquelas amizades que ocupam um lugar profundo na vida da gente.


Há amizades que guardam versões nossas. Segredos, rotinas, risadas. E talvez uma das partes mais difíceis seja aceitar a impermanência de alguém. Entender que aquela pessoa não vai mais estar nos próximos momentos. Nos planos simples. Nos encontros adiados. Mas, neste momento, posso me permitir sentir o luto, essa dor que vai e volta, mas que é tão cruel.


Nunca gostei e nem concordo com a frase “há males que vêm para o bem”. Dor é dor. Mas talvez seja possível transformar essa dor em alguma outra coisa. No meu caso, ela me trouxe de volta à escrita. Por muito tempo, deixei de lado as escritas íntimas. A correria, as demandas, a vida acontecendo rápido demais. Mas, desde a sua partida, no dia 6 de abril de 2026, voltei ao que mais gostávamos de fazer juntos: contar histórias. E, como prometido, não vou deixar você ser esquecido. Vou te honrar através da escrita. E isso exige tempo, paciência… e lágrimas. Porque escrever sobre você é revisitar tudo o que vivemos e tudo o que ainda poderíamos viver.


Eu não consegui ir ao hospital nos seus últimos dias. Nunca te vi acamado, naquela condição. Não foi por falta de vontade. Pensei nisso todos os dias. Considerei cada possibilidade, tentei muito com sua família, mas, claro, a prioridade eram os de sangue. Hoje, entendo de outra forma. Você sempre foi alegria. Sorriso. Presença leve. E talvez seja assim que você deva permanecer na minha memória: vivo.


Como no nosso TCC, a memória é cíclica, efêmera e passageira. Um loop de sentimentos que sempre encontra um caminho de volta. E você vai voltar, nas lembranças, nas risadas e nas histórias que ainda serão contadas. O mundo anda rápido demais, mas eu paro aqui, agora, pra te dizer: você foi uma das pessoas mais bonitas, grandiosas e simples que tive o privilégio de encontrar. Obrigada por tudo. De todo o meu coração, eu sempre vou ser sua fã número um.


Por isso, deixo aqui para quem está lendo, alguns de seus projetos e trabalhos, para que mais pessoas possam conhecer, ainda que um pouco, o talento e a sensibilidade de um profissional que marcou por onde passou.


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